
Moço,
Eu sinto muito, porque eu estou indo contra a minha própria natureza, de falar determinadas coisas que eu acredito serem importantes. Eu perdi a minha espontaneidade. Sem vontade de verbalizar emoções, sem vontade de me expor. E ao mesmo tempo, não me sinto bem por estar agindo assim. Essa não é a minha natureza. Esse era um dos motivos de eu ter preferido me isolar das pessoas, evitar as coisas espontâneas que podem acontecer quando se convive com os outros. Ao mesmo tempo que eu não quero pensar, quando penso, racionalizo demais as coisas. Tudo isso porque tomei atitudes no passado me baseando na ideia de ser mais solta e de deixar fluir, e mesmo tendo sido bom isso, não soube e não sei ainda lidar com as conseqüências negativas de passar pelos acontecimentos.
Eu descobri que não sou boa nisso e a posição confortável de auto proteção parece mais seguro. Eu sei que eu tenho inteligência e conhecimento suficiente que a vida é assim mesmo, que as histórias sempre vão ser diferentes, que essas coisas todas não se evitam, mas a lembrança de tudo de ruim que eu senti, me deixa sem ação ainda. O estômago já começa a doer só de começar a pensar nisso. Mesmo que eu fique triste de ter voltado a posição de estar na platéia e estar ciente de ter regredido na minha evolução pessoal. Ainda sigo sem ação porque está difícil de deixar soltar, de tentar confiar em alguém. Eu virei prisioneira de mim mesma. Eu não tenho confiado nem na minha capacidade de julgamento e nem sobre as minhas próprias emoções. E se eu não for conseguir, para que começar? Eu vou perder muito se alguém acabar saindo magoado, porque as coisas mudam. E eu me importo, me importo muito. Claro que eu também sei que tentar manter as coisas estáticas também não funcionam. Eu estou negativa, se eu começar a pensar, vou conseguir fazer uma longa lista de possibilidades de dar errado. Não levar a sério? Até quando isso dá certo? Eu tenho essa mania tão enraizada, de levar tudo a sério, que eu mesma canso disso. Realmente dá cansaço. Eu perdi a minha fé, algo importante demais para mim. Tanto, que tenho vontade de tatuar na pele. Fé.
Então, por isso tudo, eu te atropelei, não deixei falar e mudei o foco do assunto. E depois não dormi pela triste realidade de saber que me tornei o tipo de pessoa que eu não gostava. Uma pessoa fechada. Cruel porque são justamente aquelas que acabam chamando atenção, e eu já passei por isso, mas em outro papel. Mudar é fácil? Basta soltar a respiração, sorrir, dar um abraço? Minha vontade é ir para cama dormir, mas vou dormir até quando? Até os meus sonhos são verdadeiros, então não dá para fugir. Uma hora isso tudo vai tomar uma proporção insuportável. E aí o caminho de volta vai ser muito longo e vai ter um alto preço por isso. Eu estou consciente disso tudo. Não sou superficial e nem insensível, mas inconscientemente eu acabo romantizando as coisas, então eu tentava ser prática. Agora nem prática tenho sido, parei tudo, estagnei.
Isso pode ser infantilidade, será que sou infantil? Ou ingênua? Ingenuidade é algo visto como negativo hoje em dia, sinal de fraqueza. E eu achava algo lindo, que precisava ser preservado, em mim ou quando eu via isso no olho de alguém. Achava bonito porque via isso como alguém não corrompido, não machucado, não estragado. Achava lindo até alguém me magoar e dizer que não queria fazer isso, por eu ser pura. E pureza é sinonimo de burrice? Viu? Lá estou eu lembrando o passado. E como já me disseram, só se esquece o passado com um novo presente. Mas eu tenho medo do futuro que esse presente pode trazer. Então alguém pratico me diria agora, vai te catar pra lá com essa lamentação toda, para não falar coisa mais feia. Ah, saudade de quem eu era, serena, ingênua e positiva com a vida, com as pessoas e principalmente comigo. Espero não ficar muito tempo nesse piloto automático.
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