terça-feira, 22 de julho de 2008

Telefonema.



Atendi aquele telefonema, pressentimento de que alguma coisa acontecia, então ouvi silêncio, e depois um soluço, tristezas...

Tristezas de outrem trazidas a mim, e eu estava naquelas lágrimas, entendia aquela dor, um pouco minha, com mais jeito que meu desajeitar das felicidades, e me espantei quando me dei conta disso.

É tanta água na minha vida, e tão desajeitar das minhas felicidades que me são como um presente onde acabo por não saber o que fazer ou onde guardar, e me senti cansada, como uma anciã num rosto que aparenta ser mais novo do que é. Certezas...

Tudo isso deveria ser ao contrário, no avesso. Quase disse que compartilhávamos da mesma melancolia e que ainda ontem tinha chorado muito também... mas isso não era consolo. Eu vivo num submundo de sentimentos latentes que vejo e sinto, nos outros, não só em mim.

Tudo isso pensei, naqueles poucos minutos de ligação para no fim ter um telefone no gancho e um coração apertado dentro do peito.

Guardei aquele abraço, remédio, que nenhuma palavra poderia passar pelo fio daquela ligação.

2 comentários:

bsh disse...

Belo telefonema.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

Dona-f disse...

trim trim