
A chuva escorria pela janela, lá fora tudo era cinza e trovoadas, mas ele pensava nela olhando para aquela paisagem chorosa. Ela aproveitava a chuva e lia um livro aconchegada em suas cobertas, nem imaginava que ele queria é estar naquele momento com ela. A um bom tempo, ela arrumara as gavetas de dentro e guardado bem lá no fundo o amor que sentia por ele. Todo um tempo, uma chuva, um vento separava os dois há muito tempo. Ele sabia que carregava muito silêncio consigo e que ela nem imaginaria que o que ele carregava dentro dele era a imagem dela. Noite chuvosa de outono via tudo que acontecia naqueles dois mundos. Ela achava que ele não lembrava dela a muito tempo e ele não sabia que ela tinha saudade, mas que tinha aprendido a conviver com isso, que quase não lhe doía tanto. Ela guardava na memória o perfume que ele tinha e ele imaginava que ela havia esquecido de como ele arrumava o cabelo dela quando lhe caía aos olhos, e como lhe doía o vazio da lembrança do abraço dela. Ele queria atravessar a chuva até o encontro dela e ela apagava o sonho dele surgindo por meio daqueles clarões do temporal. O que o outono, a chuva e os trovões sabiam é que os dois não tinham se esquecido um do outro, o amor continuava mesmo com todo o vento, a chuva, o tempo. Se eles soubessem o que não sabiam, haveria tanto sol, uma primavera somente dentro deles.
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